Numa conversa com o Gabriel ele levantou algumas brechas do meu primeiro post e fez alguns questionamentos interessantes que me levaram a decidir pelo tema do post de hoje: a responsabilidade e a Ética da publicidade. Quando eu afirmei no outro post que gostaria de falar “só da publicidade pela publicidade” e que “paciência se a pessoa é impulsiva ao comprar coisas”, não considerava alguns fatores muito importantes.
Qual a responsabilidade de um anúncio na formação de opinião? Claro, um anúncio se propõe a vender e, em muitos casos, não está lá muito preocupado com nenhum tipo de responsabilidade sobre os impactados, tampouco entende a Ética de maneira correta. Como falamos eu e Gabriel, a Ética passou a ser apenas um grande amontoado de regras definidas por não sei quem lá e usados na regulamentação do anúncio (e em muitas outras áreas da sociedade).
Quando uma empresa se propõe a vender seu produto, são feitos milhares de estudos de impacto comercial, abrangência, targets, penetração, classes sociais melhor atingidas e afins, mas será que os anunciantes – e porque não os meios – levam em consideração aspectos que podem “depor” contra seu produto? É importante dizer que um anuncio publicitário pode sim formar opiniões e deturpar imagens e conceitos. Cerveja = mulher semi-nua; desodorante = mulheres agarrando; creme anti-rugas = rejuvenescimento milagroso.
O que me preocupa nessa esfera ética (Gabriel, não me bata) é que cada vez mais os anúncios são incrivelmente profissionais e bem feitos, e a responsabilidade para com o possível comprador é substituída e abafada pela necessidade do aumento do lucro.
Conar
Aí agora alguém pode vir e dizer: mas Alexandre, existe aí o Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) que é bem sério e rígido no que diz respeito a normas e afins. Sim, existe, mas é suficiente?
Posso dizer com toda segurança que o Conar é sim um orgão extremamente sério, funcional, e rígido, mas seria interessante se houvesse algo com um olhar ainda mais imparcial sobre a propaganda. O fato do Conar ser composto por pessoas que, de uma forma ou de outra, dependem da publicidade pra viver pode causar certo desconforto. Vale aqui uma observação: não estou dizendo, de maneira nenhuma, que as pessoas que compõe o Conar não possuam imparcialidade e seriedade em seu trabalho; estou apenas tentando determinar uma outra ótica sobre este assunto.
Mas o que fazer? Como determinar a validade de um comercial sem ser subjetivo? Não adianta criar um outro órgão responsável por validação de anúncios ou coisas do gênero. Deve-se antes, na minha opinião, rediscutir e entender (DIREITO) o que é Ética, o que é a responsabilidade social de um comercial. Porque senão mais um órgão será criado e os critérios de veto de um anúncio serão basicamente o bom ou mau humor de quem está julgado.
A publicidade no país é muito importante, é sim. Eu gosto de muitos comerciais e estes profissionais têm se profissionalizado cada vez mais, mas concordam que o modelo publicitário brasileiro (ou mundial?) deve ser revisto tendo como guia preceitos um pouco mais além do que simples aumentos de share e vendas.
Acho que é isso. Eu sei que eu me confundo no meio dos textos, mas tou me aperfeiçoando, rs…