Na época das olimpíadas de Beijing, postei um texto sobre minha opinião sobre a China (você pode lê-lo aqui). Agora volto com mais um, só que agora envolvendo também um dos gigantes da web atual: El diós Google.
No fim de 2009 o Google (e algumas outras empresas, como a Adobe) sofreu uma série de ataques hackers extremamente sofisticados e diferentes do que se conhecia até então. Nesses ataques, os hackers invadiram o sistema do Google e tiveram acesso a uma série de coisas de propriedade intelectual da empresa (detalhes aqui e aqui, em inglês). Pouco tempo depois o gigante das buscas anunciou que os ataques tinham sido originados da China, onde o Google atua de uma maneira um pouco diferente.
Todos se lembram que a China tem um controle ridículo de informações, certo? Pois bem. O Google lá, em acordo com o governo local, funciona da mesma maneira: os resultados das buscas são filtrados e, se necessário, barrados. Por exemplo: se você busca por Tiananmen na busca de imagens do “Google livre”, você acha várias imagens relativas do protesto de 89, que houve lá; se você busca no “Google Chinês”, as imagens são apenas dos templos e locais bonitos que lá existem (vejam só aqui).
Depois dos ataques a corporação-nação Google se irritou, acusou o governo chinês de estar por trás dos ataques, disse que não iria mais permitir a censura de suas buscas e ameaçou deixar o país se houvesse qualquer tipo de retaliação. Nas palavras de David Drummond, senior VP for corporate development da empresa:
We recognize that this may well mean having to shut down Google.cn, and potentially our offices in China.
E continua. Segundo uma fonte que não quis se identificar ao Wired.com, as coisas vão longe:
The source familiar with the investigation told Threat Level that the intellectual property the hackers obtained from Google was not data that would give them a business advantage over the company, but data that would help the hackers gain access to the activist accounts.
The source said that Google was able to determine definitively that the attack originated in China, and that the attack was sophisticated in a way that Google does not generally experience.
Google is “under attack all the time, primarily via unsophisticated channels,” the source said. “I can’t go into detail to demonstrate the level of sophistication, but [the company] doesn’t use that term lightly, and it is quite deliberate.”
The source added that the implications of the attack are “extremely dark and extremely disturbing.”
“This is truly, truly beyond the pale,” he said. “The political nature of this and the attempt to monitor activists, not only in China but out of it, is chilling.”
Obviamente o governo chinês já negou tudo e disse que o hacking lá é proibido (dã). Porém a coisa fica mais legal agora: hoje a Índia acusou a China de atacar sites governamentais, da mesma maneira, na mesma data em que o Google foi atacado (15 de dezembro). Notícia completa no G1, aqui.
É claro que nada foi provado ainda, porém, segundo as dezenas de sites que eu li sobre o assunto, é praticamente certo que os ataques tenham partido do país oriental – e eu também não duvido. Um país que priva da liberdade de expressão e opinião é capaz de qualquer coisa pra manter o controle dessa “caixa preta”. E em se tratando de uma empresa do tamanho do Google, acho muito difícil eles fazerem uma acusação de tamanha importância sem ter certeza do que estão afirmando.
E tudo isso leva a uma outra coisa intressante: hoje o Google tem se posicionado cada vez menos como uma empresa e muitas vezes como um Estado. O tom das acusações e, porquê não, ameaças ao governo chinês lembra tranqüilamente um impasse puramente diplomático, entre dois países – e não é pra menos. O Google cresce o tempo todo e sua importância, seja pelas suas inovações seja pela sua atuação em praticamente tudo, cresce junto. Ser parceiro ou uma espécie de aliado da empresa hoje é necessário pra uma sobrevivência, se preferirem, num futuro não tão distante.
Com certeza se o documentário “The Corporation” tivesse sido feito agora, o Google seria personagem principal!
Pra fechar, um site divertido e que, guardadas as devidas proporções, não deixa de ser verossímil, hahaha: Google Is Skynet
Abraços!
#1 por Andréa Fu - Agridoce em segunda-feira, 18/01/10 - 13:57
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Com relação à veracidade das acusações, não tenho dúvida nenhuma de que sejam verdades. O terrorismo faz parte da sua falta de liberdade também, se compararmos com a maioria dos países terroristas (sem liberdade para nada).
Até uma parte de sua economia, a China tem se mostrado superior e aberta a negociações, mas ainda proibe a sociedade de algo inerente à condição humana: a curiosidade. Assim, aqueles que não podem saciar sua curiosidade, partem para uma forma mais terrorista, como invadir computadores e sistemas alheios.
Por outro lado, ao mesmo tempo que a China erra em muitos aspectos, sociais ou não, que acarretam este tipo de comportamento terrorista, mesmo que virtual, não podemos simplesmente julgar o país inteiramente.
Nos Estados Unidos, onde a liberdade é seu lema, os hackers fazem muito pior e invadr sistemas governamentais é mais frequente do que esta notícia. No Brasil houve murmúrios de quem defendesse de que o ultimo apagão geral tenha sido dado por hackers. E depois disto, notícias sobre apagôes provocados por hackers no mundo todo.
O que quero dizer é que não é só a China que faz isto, por mais que sua cultura seja diferente da nossa. Infelizmente o mundo inteiro, desenvolvido ou não, economicamente próspero ou não, se mete neste tipo de terrorismo.
Fazer o que, se somos humanos e destruimos até a nós mesmos? Acha que não iriam querer destruir a Google? Acho ainda que a Google que treinou estes hackers antes destas invasões, como a CIA treina, ou já treinou, os terroristas que os atacaram um dia.
#2 por Alê em segunda-feira, 18/01/10 - 14:07
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Ótimo comentário Andréa, mas só uma observação: uma coisa é um ataque causado pelos hackers comuns, digamos; outra é você ter funcionários de um governo exercendo essa função para reunir informações sobre grupos que são contra seu modo de governo, ou coisa do gênero.
Os hackers estão por toda a parte e em alguns lugares fazem coisas piores, é fato. Mas quando o hacker deixa de ser um moleque nerd viciado em invadir coisa e passa a ser um funcionário respaldado pelo governo, a coisa fica um pouquinho mais séria. É por isso que a elucidação total desse caso se faz necessária, pois uma vez provado que o governo chinês está sim por trás de tudo isso, bem… sei lá o que pode acontecer.
Obrigado pelo comentário, e vem mais vezes, moça!!
Beijo
#3 por Andréa Fu - Agridoce em segunda-feira, 18/01/10 - 14:29
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Sim, claro. O governo chinês acabou invadindo diplomaticamente o que deveria ter deixado quieto. Por questões políticas? Provavelmente. Por isto mencionei o terrorismo, pois não são nerds (ou pseudonerds) com vontade de falar que invadiu um site extremamente seguro. Terrorismo por ser o governo de uma nação.
Claro que acabei misturando com hackers infantis, mas as consequências são praticamente as mesmas. A diferença é que não é um país aterrorizando outro. É nerd invadindo o que está a seu alcance.
#4 por Dri em quarta-feira, 20/01/10 - 18:53
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Caramba! Que polêmico isso!!
Adorei o comentário de a Google ser personagem principal do documentário “The Corporation”
Quanto mais “globalizadamente” seguimos, mais estranho certos tipos de coisas… Tem coisas que me assustam deveras… A China é uma delas!!! E o poder ascendente “Google” também.
Desculpe a pobreza do comentário… Gostei do post e achei bem instrutivo, mas peco muito em meus conhecimentos nestes aspectos (isso que dá ficar bitolada em rins…heheh). De qualquer forma sugeri ao Véslei que lesse o post…achei bem a cara dele!!! (não sei por quê. (Rs)).
Bjs, Alê!!