Prometi pra mim mesmo que em 2010 farei uma série de coisas diferentes. Prometi em outros anos também? Prometi; mas dessa vez, por algum motivo, é diferente. E uma delas era dar mais atenção – mesmo – a este blogue, principalmente pra superar meu receio e irritação de expor opiniões e receber comentários contrários. Sim, eu tenho receio; tenho receio de opinar, alguém replicar e eu não ter uma tréplica; e me às vezes me irrito quando discordam de algo. Podem acontecer ambos aqui, eu sei, mas e daí?

Mal ou bem as pessoas geralmente têm opiniões diversas sobre as coisas, o que é bom. A diferença é que algumas pessoas têm coesão no que falam, outras só são do contra porque é mais bacana ou nem sabem porque o são. E eu sou de um grupo de pessoas que acha que simplesmente gostar ou não gostar não são argumentos válidos pra algumas coisas – e isso sempre é um problema. Exemplo dessa diarréia mental: milhões de pessoas amam o Paulo Coelho. Isso faz dele um escritor – tecnicamente, literalmente, estilisticamente falando – a altura de sua fama, renome e fortuna? Não.

Entendem? Eu não sou um erudito, um filósofo incrível, um literato renomado, um gênio, um superdotado, mas algumas coisas eu estudei um pouco, eu li, me dediquei a entender e aprender e me incomoda quando, numa conversa, o argumento pra dizer se algo é bom, bonito, agradável ou não é simplesmente “eu [ou 1 trilhão de pessoas] gosto [am]“.

Eu sei que sou uma pessoa difícil nesse aspecto; digo, quando tenho uma determinada visão sobre alguma coisa sou capaz de arrumar briga até com minha mãe. Mas é que eu às vezes eu estou tão certo de algumas coisas, é tudo tão claro que penso não ser possível o outro não achar o mesmo que eu!

Mas uma coisa ou outra eu vou mudar. Vou continuar achando um monte de coisa uma porcaria, mas usarei de alguma polidez pra falar sobre isso. Porque não, não vou parar de achar isso ou aquilo, afinal, “calar-se é deixar que acreditem que não se pensa nem se julga nada”. E essa idéia, definitivamente, não me agrada.

Obrigado a todos que me acompanham e entendem minha casmurrice! Abaixo um trecho de um belo poema do Alberto Caeiro (heterônimo do Fernando Pessoa): O Guardador de Rebanho. O trecho é da Parte I do poema.

Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes o sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predilecta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural

Grande abraço e um excelente 2010!