O dia em que voltei a ser moleque

Crédito: Daigo Oliva/G1

Aprendi a tocar guitarra por causa do Metallica. Eu era moleque, uns 13, 14 anos. Ouvia aquele som e pensava “caramba, eu preciso fazer isso! Eu preciso fazer esse solo!”. Lá pela sétima, oitava série, eu era amigo de um cara que tocava muito violão (o Bruno Menegatti, que hoje toca viola, estuda regência e, até onde eu sei, tava na OSESP juvenil – ou infantil, sei lá, rs…) e era igualmente fã da banda. Pedi pra ele que pelo amor de Deus me ensinasse a tocar violão porque eu “queria tocar que nem o Kirk Hammet”; o cara, gentilmente, aceitou.

Comecei a ter aulas. Pacientemente fui aprendendo as dominantes, o círculo das quintas, escalas maiores e menores, os primeiros acordes, as músicas do Titãs, sempre objetivando o Metallica. O tempo passou e eu já conseguia tocar as músicas dos caras. Não cabia em mim de tanta felicidade. Obviamente não conseguia fazer os solos do Kirk – aquilo ainda era além da minha capacidade -, mas as bases, ah, essas já estavam redondinhas. Foi quando o Bruno teve a idéia de gravarmos versões das músicas do Metallica, em 2 violões; afinal, não tínhamos lá dinheiro pra ter guitarras e amplificadores.

Fazíamos versões que, modéstia a parte, ficavam demais! A gente gravava tudo lá na área da minha vó, com um desses rádios gravadores antigos. Era eu realizando o primeiro grande sonho da minha vida musical. Comecei, então, a fazer aulas de guitarra mesmo com um professor que tinha um cover de Metallica, o Júnior. O cara tocava demais e aprendi muito com ele, mesmo eu usando um violão, heheheheh. E as gravações continuavam, mas as levamos a um outro nível: juntamo-nos com um baterista, o Marcelo, cujos irmãos tinham banda. Íamos à casa dele e ficávamos tocando o tempo inteiro, sendo a maior parte das coisas do Metallica. Lembro-me até hoje de eu moleque, cantando como o Hetfield: guitarra no joelho, microfone baixo e pernas bem afastadas, bem poser!

A paixão pelo Metallica me acompanhou por muito tempo. Eu sabia tudo, conhecia tudo: cada riff, cada solo, cada “yeah” do James. Fui amadurecendo e conhecendo novas coisas, como Dream Theater e o Rock Progressivo (esse último graças ao meu pai, que sempre ouvia Floyd e ELP em casa). Junto a isso, veio aquele cancelamento do show do Metallica que eu tanto queria ir e a briga com o Napster. A banda não lançava nada novo; não vinha nenhum álbum que me socasse na cara com aqueles riffs pesados e eu sentia que a paixão minguava. Ouvia, esporadicamente, um dos discos clássicos, afinal, tinha todos. Balançava a cabeça, pegava a guitarra pra acompanhar, mas faltava algo.

Veio o St. Anger e com ele nova esperança. “Caralho, o Metallica voltou. Meu Deus.” Ouvi o disco e, juro, quase chorei de decepção; aquilo não era Metallica. Era alguém fazendo um som estranho, que nada lembrava Blackened, Hit The Lights, One; era um som burocrático, forçado sem paixão. Naquele dia, decidi pra mim que o Metallica havia acabado em 1990, com o Black. Eu até gostava de algumas músicas do Load do Reload, mas não eram do Metallica que me cativou.

2008. 5 anos após o lançamento do St. Crap, o Metallica vem com um novo álbum: “Death Magnetic”. Prometiam algo que lembraria os áureos tempos. Peguei pra ouvir sem muita esperança, confesso, mas fui surpreendido. O peso havia voltado; o peso, os riffs, os solos do Kirk, tudo. Não era ainda o Metallica de antigamente, mas estava muito perto… e foi quando os shows no Brasil foram confirmados.

Não estava empolgado pra ir, como nos shows do DT. Os ingressos esgotaram-se rapidamente e eu pensei “bom, isso é um sinal de que eu não tinha que ir mesmo”. Porém, mais uma data de show foi aberta. Ora, se aquele primeiro fato foi um sinal pra não ir, com certeza esse era pra eu ir! Comprei os ingressos ainda esperando um show mecânico e frio, afinal, o Metallica está velho e nos “traiu” uma vez cancelando aquele show. Fui ao Morumbi, minha segunda casa, como se estivesse indo ver meu Tricolor com todos os reservas contra o Milan com todos os titulares: com o pé atrás.

E, diante desse relato tolkieniano, denso e longo só posso dizer que ontem, 31/01/2010, foi o dia em que voltei a ser moleque, o moleque apaixonado pelo som pesado do Metallica.

Obrigado James, Kirk, Lars e Robert.

E desculpem-me, meus amigos, pelo longo texto. Se você chegou até aqui, obrigado a você também. :)

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Google x China

Na época das olimpíadas de Beijing, postei um texto sobre minha opinião sobre a China (você pode lê-lo aqui). Agora volto com mais um, só que agora envolvendo também um dos gigantes da web atual: El diós Google.

No fim de 2009 o Google (e algumas outras empresas, como a Adobe) sofreu uma série de ataques hackers extremamente sofisticados e diferentes do que se conhecia até então. Nesses ataques, os hackers invadiram o sistema do Google e tiveram acesso a uma série de coisas de propriedade intelectual da empresa (detalhes aqui e aqui, em inglês). Pouco tempo depois o gigante das buscas anunciou que os ataques tinham sido originados da China, onde o Google atua de uma maneira um pouco diferente.

Todos se lembram que a China tem um controle ridículo de informações, certo? Pois bem. O Google lá, em acordo com o governo local, funciona da mesma maneira: os resultados das buscas são filtrados e, se necessário, barrados. Por exemplo: se você busca por Tiananmen na busca de imagens do “Google livre”, você acha várias imagens relativas do protesto de 89, que houve lá; se você busca no “Google Chinês”, as imagens são apenas dos templos e locais bonitos que lá existem (vejam só aqui).

Depois dos ataques a corporação-nação Google se irritou, acusou o governo chinês de estar por trás dos ataques, disse que não iria mais permitir a censura de suas buscas e ameaçou deixar o país se houvesse qualquer tipo de retaliação. Nas palavras de David Drummond, senior VP for corporate development da empresa:

We recognize that this may well mean having to shut down Google.cn, and potentially our offices in China.

E continua. Segundo uma fonte que não quis se identificar ao Wired.com, as coisas vão longe:

The source familiar with the investigation told Threat Level that the intellectual property the hackers obtained from Google was not data that would give them a business advantage over the company, but data that would help the hackers gain access to the activist accounts.

The source said that Google was able to determine definitively that the attack originated in China, and that the attack was sophisticated in a way that Google does not generally experience.

Google is “under attack all the time, primarily via unsophisticated channels,” the source said. “I can’t go into detail to demonstrate the level of sophistication, but [the company] doesn’t use that term lightly, and it is quite deliberate.”

The source added that the implications of the attack are “extremely dark and extremely disturbing.”

“This is truly, truly beyond the pale,” he said. “The political nature of this and the attempt to monitor activists, not only in China but out of it, is chilling.”

Obviamente o governo chinês já negou tudo e disse que o hacking lá é proibido (dã). Porém a coisa fica mais legal agora: hoje a Índia acusou a China de atacar sites governamentais, da mesma maneira, na mesma data em que o Google foi atacado (15 de dezembro). Notícia completa no G1, aqui.

É claro que nada foi provado ainda, porém, segundo as dezenas de sites que eu li sobre o assunto, é praticamente certo que os ataques tenham partido do país oriental – e eu também não duvido. Um país que priva da liberdade de expressão e opinião é capaz de qualquer coisa pra manter o controle dessa “caixa preta”. E em se tratando de uma empresa do tamanho do Google, acho muito difícil eles fazerem uma acusação de tamanha importância sem ter certeza do que estão afirmando.

E tudo isso leva a uma outra coisa intressante: hoje o Google tem se posicionado cada vez menos como uma empresa e muitas vezes como um Estado. O tom das acusações e, porquê não, ameaças ao governo chinês lembra tranqüilamente um impasse puramente diplomático, entre dois países – e não é pra menos. O Google cresce o tempo todo e sua importância, seja pelas suas inovações seja pela sua atuação em praticamente tudo, cresce junto. Ser parceiro ou uma espécie de aliado da empresa hoje é necessário pra uma sobrevivência, se preferirem, num futuro não tão distante.

Com certeza se o documentário “The Corporation” tivesse sido feito agora, o Google seria personagem principal!

Pra fechar, um site divertido e que, guardadas as devidas proporções, não deixa de ser verossímil, hahaha: Google Is Skynet

Abraços!

Com informações do G1 e da Wired.com.

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Igreja de São Pelegrino – Caxias do Sul

Igreja de São Pelegrino

Igreja de São Pelegrino

Não sei se todos os amigos que visitam esse blogue sabem mas estou de férias e viajei aqui pra Gramado – RS, onde fico 1 semana. Em um dos tours pela região tive a oportunidade de conhecer a igreja de São Pelegrino, em Caxias do Sul. São Pelegrino, segundo histórias, era filho dos reis da Escócia e se estabeleceu na região de Lucca, na Itália. Lá passou a levar uma vida de eremita e de oração, além de ajudar a viajantes e principalmente a peregrinos.

A igreja é lindíssima. As portas são feitas de bronze que retratam momentos da imigração Italiana. Essas portas pesam 7 toneladas e só podem ser abertas eletronicamente – impressiona. Ainda na entrada há uma réplica da Pietá, do Michelangelo. A história desta obra é interessante: no passado um maluco atacou a escultura original na basílica de São Pedro e um artista (se não me engano foi um padre) brasileiro foi chamado para fazer a restauração. Esse artista restaurou a obra original, mas também fez uma réplica para que essa ficasse exposta no lugar da outra. A réplica foi doada à igreja pelo Papa Paulo VI, em 1975, ano em que a imigração italiana no Rio Grande do Sul completou 100 anos. A perfeição é tamanha que dá pra dizer tranqüilamente que se trata da escultura original e não de uma réplica. Há ainda, também doada por Roma, uma réplica (fac-símile) do Santo Sudário.

Portas de Bronze da igreja. Fonte: Wikipedia

Mas, definitivamente, o que mais chama atenção são os afrescos e pinturas do pintor italiano Aldo Locatelli. O pintor italiano veio para o Brasil em 1948 para pintar a Catedral de Pelotas e resolveu ficar por aqui. Quando foi chamado para fazer as pinturas da igreja de São Pelegrino, o pintor recebeu total libertade criativa do pároco àquela época. Além disso esse padre deu um livro ao pintor, cujo o título era algo como “A Paixão de Cristo segundo um cirurgião”.

Quando terminou e foi inaugurado o templo pintado, as pinturas causaram enorme impacto na população em geral, principalmente porque eram totalmente contrárias, digamos, ao padrão da época, que era aquele de “Jesus branquinho de olho azul, limpinho e quase feliz ao carregar a cruz”; podemos comparar o impacto com o causado pelo lançamento do filme Paixão de Cristo, do Mel Gibson. Há um tom sombrio e pesado nessa obra que realmente mostra um Jesus que sofre. São obras chocantes, mas é algo belíssimo, peculiar e espetacular.

Além da Via Sacra, há a Santa Ceia retratada atrás do altar e no teto os Afrescos que retratam A Criação do Cosmo, A Criação da Mulher, A Expulsão do Paraíso, e o Juízo FInal. Ao redor dessas pinturas no teto há quadrados com imagens inspiradas no hino Dies irae.Quem tiver a oportunidade, católico ou não, conheça a Igreja de São Pelegrino. As imagens e esculturas são realmente belíssimas!

Igreja de São Pelegrino Réplica da Pietá, de Michelangelo I estação da Via Sacra Altar com a Santa Ceia ao fundo

Afrescos no teto Afrescos no teto Réplica do Sudário - Frente Réplica do Sudário - Costas

Fontes: guia da CVC e Wikipedia. Para ver todas as imagens da Via Sacra, clique aqui, (spaces da Yadeshka que achei no Google!). Infelizmente por não poder usar flash dentro da paróquia, não consegui boas fotos das pinturas. Depois, ao voltar pra SP, escanearei em alta resolução as fotos que comprei na loja da igreja e posto aqui! ;)

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Um post de fim de ano

Prometi pra mim mesmo que em 2010 farei uma série de coisas diferentes. Prometi em outros anos também? Prometi; mas dessa vez, por algum motivo, é diferente. E uma delas era dar mais atenção – mesmo – a este blogue, principalmente pra superar meu receio e irritação de expor opiniões e receber comentários contrários. Sim, eu tenho receio; tenho receio de opinar, alguém replicar e eu não ter uma tréplica; e me às vezes me irrito quando discordam de algo. Podem acontecer ambos aqui, eu sei, mas e daí?

Mal ou bem as pessoas geralmente têm opiniões diversas sobre as coisas, o que é bom. A diferença é que algumas pessoas têm coesão no que falam, outras só são do contra porque é mais bacana ou nem sabem porque o são. E eu sou de um grupo de pessoas que acha que simplesmente gostar ou não gostar não são argumentos válidos pra algumas coisas – e isso sempre é um problema. Exemplo dessa diarréia mental: milhões de pessoas amam o Paulo Coelho. Isso faz dele um escritor – tecnicamente, literalmente, estilisticamente falando – a altura de sua fama, renome e fortuna? Não.

Entendem? Eu não sou um erudito, um filósofo incrível, um literato renomado, um gênio, um superdotado, mas algumas coisas eu estudei um pouco, eu li, me dediquei a entender e aprender e me incomoda quando, numa conversa, o argumento pra dizer se algo é bom, bonito, agradável ou não é simplesmente “eu [ou 1 trilhão de pessoas] gosto [am]“.

Eu sei que sou uma pessoa difícil nesse aspecto; digo, quando tenho uma determinada visão sobre alguma coisa sou capaz de arrumar briga até com minha mãe. Mas é que eu às vezes eu estou tão certo de algumas coisas, é tudo tão claro que penso não ser possível o outro não achar o mesmo que eu!

Mas uma coisa ou outra eu vou mudar. Vou continuar achando um monte de coisa uma porcaria, mas usarei de alguma polidez pra falar sobre isso. Porque não, não vou parar de achar isso ou aquilo, afinal, “calar-se é deixar que acreditem que não se pensa nem se julga nada”. E essa idéia, definitivamente, não me agrada.

Obrigado a todos que me acompanham e entendem minha casmurrice! Abaixo um trecho de um belo poema do Alberto Caeiro (heterônimo do Fernando Pessoa): O Guardador de Rebanho. O trecho é da Parte I do poema.

Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes o sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predilecta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural

Grande abraço e um excelente 2010!

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Música: In The Name Of God – Dream Theater

Dream Theater - Train of Thought

Dream Theater - Train of Thought

Depois dos atentatos às torres gêmeas, em NYC, O DT lançou 2 discos com músicas que fazem referências ao fanatismo religioso, a guerras e afins: In The Name of God (Train of Thought) e Sacrificed Sons (Octavarium). As 2 são músicas excelentes e com letras fortíssimas sobre os temas, mas na minha modesta opinião a melhor delas é a In The Name of God – música que transcrevo abaixo e convido-os a ouvir!

A música tem um feeling totalmente de acordo com a temática da letra: pegada forte, timbres pesados, melodia meio oriental e afins. Vale “perder” os 14:15!

Dream Theater - In The Name of God

Letra: John Petrucci
How can this be?
Why is he the chosen one?

Saint gone astray
With a scepter and a gun

Learn to believe
In the mighty and the strong

Come bleed the beast
Follow me it won’t be long

Listen when the prophet
Speaks to you
Killing in the name of God

Passion
Twisting faith into violence
In the name of God

Straight is the path
Leading to your salvation
Slaying the weak
Ethnic elimination

Any day we’ll all be
Swept away
You’ll be saved
As long as you obey

Lies
Tools of the devil inside
Written in Holy disguise
Meant to deceive and divide
Us all

Listen when the prophet
Speaks to you
Killing in the name of God

Passion
Twisting faith into violence
In the name of God

Blurring the lines
Between virtue and sin
They can’t tell
Where God ends
And mankind begins

They know no other
Life but this
From the cradle
They are claimed

Listen when the prophet
Speaks to you
Killing in the name of God

Passion
Twisting faith into violence
In the name of God
Hundreds of believers
Lured into a doomsday cult

All would perish
In the name of God

Self-proclaimed messiah
Led his servants
To their death
Eighty murdered
In the name of God

Forty sons and daughters
Un-consenting plural wives
Perversions
In the name of God

Underground religion
Turning toward
The mainstream light
Blind devotion
In the name of God

Justifying violence
Citing from the Holy Book
Teaching hatred
In the name of God

Listen when the prophet
Speaks to you
Killing in the name of God

Passion
Twisting faith into violence
In the name of God

Religious beliefs
Fanatic obsession
Does following faith
Lead us to violence?
Unyielding crusade
Divine revelation
Does following faith
Lead us to violence?

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